Nos meus anos de reportagem, entrevistei muita gente que falava bem. Gente que lotava auditórios, tinha voz firme, boa postura e um repertório admirável.

E vi várias dessas pessoas se perderem em uma única pergunta.

A técnica de fala estava lá. O que faltava era preparo para um tipo de conversa em que alguém do outro lado está fazendo o trabalho dele: perguntar, questionar e buscar informações que nem sempre o entrevistado está preparado para responder.

A diferença está aqui: a oratória prepara você para conduzir a fala. O media training prepara você para sustentar a fala quando quem conduz é outra pessoa.

As duas competências se complementam, mas respondem a necessidades diferentes.

O que a oratória treina

Na oratória, geralmente existe maior controle sobre a condução da mensagem. Você pode planejar o conteúdo, organizar os argumentos e preparar a maneira como deseja se apresentar.

O treinamento envolve a organização do raciocínio, o uso da voz, o ritmo, as pausas, a postura, o contato visual e a capacidade de estabelecer uma conexão com quem está ouvindo.

São habilidades fundamentais para palestras, apresentações executivas, reuniões decisivas e vídeos para as redes sociais.

O desafio está em transformar conhecimento em uma mensagem que desperte interesse, seja compreendida e permaneça na memória do público.

Afinal, dominar um assunto não significa necessariamente saber apresentá-lo.

O que o media training treina

No media training, a dinâmica é diferente. O jornalista conduz as perguntas, e o veículo de comunicação define como aquele conteúdo será apresentado ao público.

Quem está sendo entrevistado precisa compreender essa dinâmica e estar preparado para comunicar suas mensagens, inclusive diante de questionamentos inesperados.

E existe uma responsabilidade adicional quando o entrevistado fala em nome de uma empresa ou instituição.

Por isso, o treinamento de porta-vozes envolve:

  • Compreender como a imprensa trabalha, quais informações interessam aos jornalistas e como funciona a construção de uma notícia;
  • Definir mensagens-chave alinhadas ao posicionamento da organização;
  • Preparar respostas para perguntas difíceis, sensíveis ou inesperadas;
  • Reconhecer os limites das informações que podem ser compartilhadas e saber lidar com assuntos delicados;
  • Desenvolver a capacidade de responder com objetividade, sem perder o foco da mensagem;
  • Preparar-se para entrevistas em diferentes formatos e situações de exposição pública, inclusive durante crises.

O media training também trabalha voz, postura, linguagem corporal e organização do raciocínio. A diferença está na aplicação dessas habilidades em um ambiente no qual o porta-voz não controla todas as etapas da comunicação.

Uma resposta mal formulada pode ganhar repercussão, comprometer a compreensão de uma informação ou provocar consequências para a reputação da organização.

Tendo estado dos dois lados do microfone, aprendi que muitas entrevistas começam a dar errado antes mesmo da primeira pergunta.

Quando falta preparação, qualquer resposta pode se tornar um risco.

Como saber qual você precisa

O que a sua posição profissional exige da sua comunicação?

A resposta depende das situações em que você precisa se expressar, das responsabilidades que assume e de quem você representa ao falar.

Oratória é o caminho mais indicado se o seu desafio é:

  • apresentar ideias em reuniões, palestras e vídeos com segurança;
  • ser reconhecido pelo que sabe, no palco e nas redes sociais (aqui, somada ao posicionamento).

Media training é o caminho mais indicado se o seu desafio é:

  • dar entrevistas ou falar em nome de uma empresa ou instituição;
  • ocupar uma posição de liderança com exposição pública;
  • atuar como especialista ou porta-voz diante da imprensa;
  • preparar a empresa para se comunicar em situações de crise.

Na prática, muitos profissionais precisam desenvolver as duas competências.

A oratória oferece recursos para estruturar e apresentar uma mensagem. O media training acrescenta a preparação necessária para lidar com a dinâmica da imprensa, com perguntas que fogem do roteiro e com a responsabilidade da representação institucional.

Falar bem é uma competência. Estar preparado para responder é outra.

Quanto mais trabalho com líderes e porta-vozes, mais percebo que comunicar bem exige compreender não apenas o que será dito, mas também o contexto, o público e a responsabilidade de cada palavra.

Por onde começar

Se você ainda não sabe em qual ponto a sua comunicação precisa evoluir, comece pelo diagnóstico. São 5 perguntas, respondidas em aproximadamente 2 minutos, que ajudam a identificar onde concentrar seus esforços de desenvolvimento.

Fazer o diagnóstico gratuito

Publicado originalmente no LinkedIn.

Sonia Campos
Sonia CamposJornalista, mestre de cerimônias, palestrante e fundadora da Fala em Ação.